Sou uma garota de muitas palavras. Não vivo sem elas. E cada uma tem múltiplos significados para mim. Cada vez que alguém me lê conclui algo diferente. Creio que isso seja algo bom, pois estou em constante metamorfose e se eu fosse reduzida a um simples e vago significado eu ficaria louca para provar ao mundo que sou muitas, condensadas em um corpo frágil, que muitas vezes não suporta a complexidade de tantas mulheres. As vezes, me deparo com algumas de minhas muitas personalidades lutando para entrar em destaque e me assusto ao ver a força que cada uma delas conquistou com o passar do tempo.
Tenho uma alma intensa, admito. E gosto de surpreender a mim mesma, tomando decisões totalmente opostas ao que defendo normalmente com uma enorme voracidade.
Passo inúmeras vezes pelo mesmo caminho, com a finalidade de encontrar algum novo detalhe, algo que eu não tenha percebido. E faço o mesmo com as pessoas. Estudo-as minunciosamente antes de me entregar por completo.
Tento entender e perdoar cada atitude idiota que as pessoas tomam. E, surpreendentemente, as pessoas me julgam por isso, por tentar ser agradável com a humanidade. Não quero, nem nunca quis pagar de boazinha ou de santa. Eu apenas vivi coisas suficientes para entender que se olharmos apenas para o que as pessoas fazem de errado, eu nunca sairei do lugar. Sei admitir que sou errante e que gosto que as pessoas me perdoem quando eu piso na bola. Sei que tenho um pouco de doida e de santa nessa minha alma que me instiga a ser cada vez melhor. Melhor do que já sou, melhor do que esperam que eu seja. É preciso procurar nas pessoas, suas coisas boas, seus pontos bons. Ninguém nasce para ser ruim, ninguém nasce predestinado a matar alguém ou se tornar um psicopata. Os genes não influenciam nas decisões de outras pessoas, as pessoas influenciam.
Viver sem lucidez e ainda assim conseguir fazer a lição de casa obtendo nota máxima é para poucos. Entender que essa falta de lucidez nada tem a ver com drogas, vícios ou falta de razão é mais difícil ainda.

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